Publicado na Revista Dança Brasil.
Edição de Março de 2015.
No meu aprendizado contínuo (e sem
fim!) com a dança confirmei nos pais a figura indispensável de apoio e
suporte. Principalmente as mães cumprem um papel fundamental. Sem elas
quantos(as) bailarinos(as) não teriam sido descobertos(as)? Dedico este
trecho principalmente a ela, mas implico também os pais nesta
maravilhosa jornada dos(as) pequenos(as).
Inicio apontando a importância de
começar o processo de compreender a individualidade de seu(sua) filho(a),
com possibilidades e limitações próprias deste(a). Não cabe aqui passar
pendências profissionais para as pequenas. Compreender que elas tem o seu
tempo particular para brilhar é imprescindível. Outra tarefa árdua,
mas necessária: aprender a separar suas ansiedades, pensamentos e
expectativas revividas pelas suas experiências com a dança e a vivência
distinta de seu(sua) filho(a). Quando isto não está claro eles(elas) percebem
uma expectativa desproporcional dos pais ou mesmo a decepção por premiação
abaixo do esperado. Obviamente a mãe do(a) bailarino(a) também experimenta
grande ansiedade gerada por diversos fatores: incerteza, sintonia com
os sentimentos do(a) filho(a), não ter domínio sobre a apresentação, etc.
É preciso que a mãe aceite a incerteza sobre o que ocorre com o(a)
filho(a), estando ali para auxiliar no que for possível, mas sem criar uma
redoma sobre a criança motivado pela incerteza.
À mãe cabe a felicidade por todas as
conquistas e o incentivo positivo para que o(a) pequeno(a) conquiste ainda
mais. Isto cabe também para as mães que não apreciam tanto a dança e até
admitem que gostariam de outras realizações para os(a) filhos(a). Isto
pode, é claro, ser verdade, mas incentivar os sonhos dos(as) pequenos(as)
é necessário, pois o que eles(elas) aprendem é que os pais apreciam e reconhecem
todas as individualidades dele(a), mesmo aquelas atividades que não
prestigiam tanto.
A mãe do(a) bailarino(a) é aquela que
não só permite seus sonhos acontecerem, mas luta por eles com todas as
suas forças. Na minha experiência profissional aprendi uma coisa rapidamente:
ser mãe de bailarino(a) não é fácil, mas é gratificante. Ver o(a)
bailarino(a) dançar emociona todas as mães. Mas esta também precisa
estar sempre aprendendo novas habilidades: ela está continuamente
aprendendo a ser mãe de bailarino(a). A habilidade principal é
disponibilidade: para aprender, para se envolver, para abraçar quando não
souber o que dizer, enfim: é o “estar presente” mesmo nos tempos mais
difíceis. O segundo, uma habilidade não rara e muito simples: desejar que
eles(elas) alcancem seus sonhos. Por fim: saber lidar com situações
frustrantes: esta é uma habilidade importantíssima.
Algumas mães preferem fugir destas
situações, acreditando que assim, estará protegendo os filhos. Elas se
enganam. Situações frustrantes são inerentes à vida. Ao invés de fugir, devemos
aprender a lidar com estas situações. Para lidar com a frustração há
diversas maneiras, mas algumas são menos adaptativas e construtivas.
Ou seja, quando a mãe utiliza-se da negação - por exemplo: “o resultado
não foi justo, você estava muito melhor”, “a coreografia é que não estava
tão boa quanto a de fulano, se não você teria ganho”, etc. – o(a) bailarino(a)
não aprende nada com a sua experiência, ou melhor, aprende a
responsabilizar o outro, e a nunca procurar compreender o que poderia
fazer, afinal, de diferente.
Portanto, a melhor forma de lidar com
a frustração é incentivá-lo(a) e ajudá-lo(a) a encontrar saídas para que
ele(ela) atinja seus objetivos. No dia da premiação ele precisa estar seguro de
seu valor, portanto, parabenizar, independente do resultado é
importantíssimo. Lembremos que a premiação é apenas uma das
motivações: parabenizar pela sua performance, pela sua coragem, pela sua
independência, ou até mesmo quando houver alguma interferência: já vi apresentações
em que uma das sapatilhas de ponta da bailarina saiu e ela
continuou dançando. No fim sua mãe a parabenizou por não ter se deixado
abalar e ter dançado até o fim com um sorriso no rosto. Desta maneira, a
menina está segura quanto a seu valor – aprende a sempre procurar um
aprendizado positivo – e afinal fazer uma mudança objetiva – costurar um
novo elástico na sapatilha!
Maria Cristina
Lopes
CRP 5/47829
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